sábado, 19 de maio de 2012

Capítulo Um - Novidade

            Demetria, que tinha dezesseis anos e em pouco tempo faria dezessete, há poucos dias estava de férias. Ela era o tipo de garota geniosa que cativava todos que estavam a sua volta. Tinha a confiança de todos que convivia, principalmente dos seus pais, Patrick e Beatriz, eles confiavam nela assim como ela confiava neles, não tinham segredos entre si e isso os fazia uma família “quase prefeita”, pelo menos até esse verão.
            Demi havia saído para um clube, no qual passaria o dia inteiro, e seu pai havia recebido uma visita ao qual não seria muito bem-vinda pela sua filha. Dianna havia ido a sua casa para propor que Patrick mandasse Demetria para Los Angeles passar as férias com ela. A principio Patrick se opôs, pois ele sabia que sua filha se recusaria a ir, mas Dianna alegou querer reconquistar a filha e faria de tudo para tê-la com ela, se precisasse iria para a justiça para poder ter o tempo que precisasse com Demetria.
                                                                           . . .

            Demetria entrou em casa radiante pelo belo dia que teve e tudo o que queria era conversar com seus pais sobre o seu dia enquanto jantavam, sempre fora assim, para os Lovato o jantar era o momento em que eles colocavam o papo em dia e confidenciavam todos os seus momentos diários. Mas nesse dia tudo foi diferente. Ao chegar seu pai e sua madrasta estavam esperando por ela na sala de estar com semblantes desagradáveis aos olhos de Demi.
¾ Boa noite! ¾ Demi cumprimentou sorridente. ¾ Aconteceu algo? ¾ Perguntou.
Patrick sabia que sua filha o conhecia mais que ninguém. ¾ Temos que conversar! E é sério, sente-se. ¾ Ele apontou para sua poltrona que ficava a sua frente.
            Demi sem rodeios se acomodou e os fitou confusa. Passou um minuto e Patrick apenas a encarava, até que ela quebrou o silêncio.
¾ Fala pai, o que houve?
¾ Sua mãe esteve aqui. ¾ Respondeu fitando-a.
            Demi arqueou a sobrancelha, apontou para sua madrasta e falou: ¾ Minha mãe... Beatriz é a minha mãe!
¾ Demi, você sabe de quem estou falando! ¾ Patrick falou nervoso.
¾ E você sabe o que acho dela! ¾ Rebateu.
¾ Demi! ¾ Beatriz a olhou, censurando.
¾ Desculpa. ¾ Ela abaixou a cabeça. ¾ Mas vocês sabem que não a considero como mãe, que na minha vida não tem lugar para ela.
¾ Mas querendo ou não ela é sua mãe, querida! ¾ Falou Beatriz.
¾ Minha genitora, nada mais.
            Patrick e Beatriz sabiam que a única coisa que fazia com que Demetria se alterasse era falar de sua mãe biológica, por isso Patrick resolveu ir direto ao ponto.
¾ Ok, vamos direto ao ponto? ¾ Perguntou.
¾ Claro! ¾ Demi respondeu calma.
¾ Ela quer que você passe as férias com ela. ¾ Dito isso, Demetria teve uma crise de risos, mas parou quando notou que seus pais estavam sérios.
¾ Isso é brincadeira, não é?
¾ Não querida! ¾ Bia respondeu.
Demi passou um minuto os encarando, até falar: ¾ Ótimo, diga a ela que eu não vou.
¾ Não é tão simples assim Demi. ¾ Patrick falou impaciente sabia que sua filha não ficaria nada feliz com a história.
¾ Por que não? ¾ Perguntou confusa.
¾ Ela é sua mãe biológica, você é de menor e ela tem direitos sobre você. E...
¾ Mas... ¾ Demi o interrompeu, mas logo foi interrompida.
¾ Hei! ¾ Patrick a repreendeu.
¾ Desculpa pai. ¾ Demi abaixou a cabeça novamente e corou. Não era do tipo rebelde e não gostava de ser chamada a atenção.
¾ Eu disse que você não iria gostar da idéia, eu também não gostei, próximo mês eu vou sair de férias e já tinha uma programação pra nós três. ¾ O seu pai falou nada feliz. ¾ Sempre passamos uma semana viajando e eu não a quero longe de mim, não dessa maneira.
¾ Então não me deixe ir. Diga a ela que eu não vou, pois tenho uma viagem de família a fazer. ¾ Falou impaciente.
¾ Eu não posso! Ela quer você com ela nessas férias e não tem como discordar. ¾ Patrick olhou pra filha.
¾ Como assim? Você é o meu pai!
¾ E ela é sua mãe! E disse que faria de tudo para ter o direito de tê-la junto a ela, e se fosse preciso iria para a justiça.
            Demi olhou para seu pai atônita: ¾ Ela é louca? O que aquela mulher tem na cabeça? ¾ Demi se levantou alterada, sendo seguida por Bia e Patrick.
¾ Demi se acalme! ¾ Bia falou. ¾ Vá tomar um banho para podermos jantar, ok? ¾ Demi apenas meneou a cabeça positivamente, pegou suas coisas e subiu para seu quarto.
                                                                       . . .
            Os três estavam sentados à mesa, jantando, e pela primeira vez Demi não iniciou uma conversa, como sempre fazia noite após noite. Então vendo que a filha não falaria, Patrick começou: ¾ Como foi o seu dia meu anjo? ¾ A garota pela primeira vez desviou os olhos do prato e encarou o pai.
¾ Legal, muito legal. ¾ Respondeu sem nenhum entusiasmo.
¾ Que bom! ¾ Patrick sorriu para a filha, mas ela apenas lhe deu um sorriso forçado, sem emoções.
¾ Pai, mãe, eu posso subir? Não estou com fome, queria descansar.
¾ Claro, filha. Pode ir! ¾ Bia sorriu cúmplice e Demetria se levantou.
¾ Com licença! ¾ A garota subiu direto para o seu quarto, onde ficou na cama chorando por um bom tempo, até Bia aparecer, batendo na porta.
¾ Querida? Posso entrar? ¾ Perguntou ainda na porta.
¾ Claro, mãe. ¾ Respondeu com a voz embargada pelo choro.
            Ao entrar, Beatriz se sentou na cama e pôs a cabeça de Demi em seu colo e ficou alisando seus cabelos.
¾ Não chore meu amor!
¾ Eu não quero ir. O meu lugar é aqui, não na casa dela com a família dela.
¾ Olhe, lá também é sua família! Você tem duas irmãs sabia? ¾ Perguntou tentando entusiasmá-la.
¾ Não estou nem aí. ¾ Demi falou de forma rude e Bia não gostou.
¾ Demi, não fale isso! Você nunca foi de grosseria.
¾ Mãe ela não pode fazer isso! É cruel. Não pode me obrigar a conviver com ela. ¾ Resmungou.
¾ Ela é mãe Demi. Sua mãe, e é normal que ela queira conviver com você, te ter perto dela.
¾ Ela quer conviver comigo? ¾ Demi riu falsamente. ¾ Ela perdeu esse direito no dia em que me deixou com o meu pai alegando não querer nada atrapalhando seu casamento, sua família. E esse “nada” era eu. Ela me rejeitou e isso não é atitude de mãe. ¾ Demi já estava descontrolada e chorando muito. Então Beatriz a abraçou e se deitou com ela para fazer ela se acalmar e dormir.
            Beatriz chegou a seu quarto com os olhos vermelhos de tanto chorar ao ver o sofrimento da menina que ela considerava sua filha. Seu marido estava sentado em seu lado da cama, viajando em pensamentos, então Bia se sentou a sua frente.
¾ Hei! ¾ Ela o fitou, segurando uma de suas mãos. ¾ Está bem?
¾ Sim. ¾ Respondeu. ¾ É que eu nunca a vi tão alterada.
¾ Eu sei. ¾ Bia falou com a voz doce e compreensiva.
¾ Ela me interrompeu mais de uma vez, aumentou o tom de voz. De uma hora pra outra ela ficou grosseira...
¾ E fria. ¾ Bia completou.
¾ Como assim? ¾ Eu falei para ela que ela tinha irmãs que queriam conhecê-la e ela simplesmente disse que não se importava, que não estava nem aí. ¾ Suspirou. ¾ Ela nunca foi assim, toda a vida foi amável.
¾ É, quando se fala na mãe ela fica agressiva e eu acho que ela não vai abrir brecha para Dianna. Eu só tenho medo que minha filha volte machucada.
¾ Eu também querido, eu também...

Continua...

Um comentário:

  1. Wow,adorei o capitulo!!!
    Vc escreve muito bem! :)
    Continua postando,essa fic vai ser ótima!!
    Bjs

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