Demetria, que
tinha dezesseis anos e em pouco tempo faria dezessete, há poucos dias estava de
férias. Ela era o tipo de garota geniosa que cativava todos que estavam a sua
volta. Tinha a confiança de todos que convivia, principalmente dos seus pais,
Patrick e Beatriz, eles confiavam nela assim como ela confiava neles, não
tinham segredos entre si e isso os fazia uma família “quase prefeita”, pelo
menos até esse verão.
Demi
havia saído para um clube, no qual passaria o dia inteiro, e seu pai havia
recebido uma visita ao qual não seria muito bem-vinda pela sua filha. Dianna
havia ido a sua casa para propor que Patrick mandasse Demetria para Los Angeles
passar as férias com ela. A principio Patrick se opôs, pois ele sabia que sua
filha se recusaria a ir, mas Dianna alegou querer reconquistar a filha e faria
de tudo para tê-la com ela, se precisasse iria para a justiça para poder ter o
tempo que precisasse com Demetria.
. . .
Demetria
entrou em casa radiante pelo belo dia que teve e tudo o que queria era
conversar com seus pais sobre o seu dia enquanto jantavam, sempre fora assim,
para os Lovato o jantar era o momento em que eles colocavam o papo em dia e
confidenciavam todos os seus momentos diários. Mas nesse dia tudo foi
diferente. Ao chegar seu pai e sua madrasta estavam esperando por ela na sala
de estar com semblantes desagradáveis aos olhos de Demi.
¾ Boa noite! ¾ Demi
cumprimentou sorridente. ¾ Aconteceu algo? ¾ Perguntou.
Patrick sabia que sua filha o conhecia mais que ninguém. ¾
Temos que conversar! E é sério, sente-se. ¾ Ele apontou para sua
poltrona que ficava a sua frente.
Demi sem
rodeios se acomodou e os fitou confusa. Passou um minuto e Patrick apenas a
encarava, até que ela quebrou o silêncio.
¾ Fala pai, o que houve?
¾ Sua mãe esteve aqui. ¾
Respondeu fitando-a.
Demi
arqueou a sobrancelha, apontou para sua madrasta e falou: ¾
Minha mãe... Beatriz é a minha mãe!
¾ Demi, você sabe de quem
estou falando! ¾
Patrick falou nervoso.
¾ E você sabe o que acho
dela! ¾
Rebateu.
¾ Demi! ¾
Beatriz a olhou, censurando.
¾ Desculpa. ¾ Ela
abaixou a cabeça. ¾
Mas vocês sabem que não a considero como mãe, que na minha vida não tem lugar
para ela.
¾ Mas querendo ou não ela é
sua mãe, querida! ¾
Falou Beatriz.
¾ Minha genitora, nada
mais.
Patrick e
Beatriz sabiam que a única coisa que fazia com que Demetria se alterasse era
falar de sua mãe biológica, por isso Patrick resolveu ir direto ao ponto.
¾ Ok, vamos direto ao
ponto? ¾
Perguntou.
¾ Claro! ¾ Demi
respondeu calma.
¾ Ela quer que você passe
as férias com ela. ¾
Dito isso, Demetria teve uma crise de risos, mas parou quando notou que seus
pais estavam sérios.
¾ Isso é brincadeira, não
é?
¾ Não querida! ¾ Bia
respondeu.
Demi passou um minuto os
encarando, até falar: ¾ Ótimo, diga a ela que eu não vou.
¾ Não é tão simples assim
Demi. ¾
Patrick falou impaciente sabia que sua filha não ficaria nada feliz com a
história.
¾ Por que não? ¾
Perguntou confusa.
¾ Ela é sua mãe biológica,
você é de menor e ela tem direitos sobre você. E...
¾ Mas... ¾ Demi
o interrompeu, mas logo foi interrompida.
¾ Hei! ¾
Patrick a repreendeu.
¾ Desculpa pai. ¾ Demi
abaixou a cabeça novamente e corou. Não era do tipo rebelde e não gostava de
ser chamada a atenção.
¾ Eu disse que você não
iria gostar da idéia, eu também não gostei, próximo mês eu vou sair de férias e
já tinha uma programação pra nós três. ¾ O seu pai falou nada
feliz. ¾
Sempre passamos uma semana viajando e eu não a quero longe de mim, não dessa
maneira.
¾ Então não me deixe ir.
Diga a ela que eu não vou, pois tenho uma viagem de família a fazer. ¾
Falou impaciente.
¾ Eu não posso! Ela quer
você com ela nessas férias e não tem como discordar. ¾ Patrick olhou pra filha.
¾ Como assim? Você é o meu
pai!
¾ E ela é sua mãe! E disse
que faria de tudo para ter o direito de tê-la junto a ela, e se fosse preciso
iria para a justiça.
Demi
olhou para seu pai atônita: ¾ Ela é louca? O que aquela mulher tem na cabeça? ¾ Demi
se levantou alterada, sendo seguida por Bia e Patrick.
¾ Demi se acalme! ¾ Bia
falou. ¾
Vá tomar um banho para podermos jantar, ok? ¾ Demi apenas meneou a
cabeça positivamente, pegou suas coisas e subiu para seu quarto.
. . .
Os três
estavam sentados à mesa, jantando, e pela primeira vez Demi não iniciou uma
conversa, como sempre fazia noite após noite. Então vendo que a filha não
falaria, Patrick começou: ¾ Como foi o seu dia meu anjo? ¾ A garota pela primeira
vez desviou os olhos do prato e encarou o pai.
¾ Legal, muito legal. ¾
Respondeu sem nenhum entusiasmo.
¾ Que bom! ¾
Patrick sorriu para a filha, mas ela apenas lhe deu um sorriso forçado, sem
emoções.
¾ Pai, mãe, eu posso subir?
Não estou com fome, queria descansar.
¾ Claro, filha. Pode ir! ¾ Bia
sorriu cúmplice e Demetria se levantou.
¾ Com licença! ¾ A
garota subiu direto para o seu quarto, onde ficou na cama chorando por um bom
tempo, até Bia aparecer, batendo na porta.
¾ Querida? Posso entrar? ¾
Perguntou ainda na porta.
¾ Claro, mãe. ¾
Respondeu com a voz embargada pelo choro.
Ao
entrar, Beatriz se sentou na cama e pôs a cabeça de Demi em seu colo e ficou
alisando seus cabelos.
¾ Não chore meu amor!
¾ Eu não quero ir. O meu lugar
é aqui, não na casa dela com a família dela.
¾ Olhe, lá também é sua
família! Você tem duas irmãs sabia? ¾ Perguntou tentando entusiasmá-la.
¾ Não estou nem aí. ¾ Demi
falou de forma rude e Bia não gostou.
¾ Demi, não fale isso! Você
nunca foi de grosseria.
¾ Mãe ela não pode fazer
isso! É cruel. Não pode me obrigar a conviver com ela. ¾ Resmungou.
¾ Ela é mãe Demi. Sua mãe,
e é normal que ela queira conviver com você, te ter perto dela.
¾ Ela quer conviver comigo?
¾
Demi riu falsamente. ¾ Ela perdeu esse direito no dia em que me deixou com o
meu pai alegando não querer nada atrapalhando seu casamento, sua família. E
esse “nada” era eu. Ela me rejeitou e isso não é atitude de mãe. ¾ Demi
já estava descontrolada e chorando muito. Então Beatriz a abraçou e se deitou
com ela para fazer ela se acalmar e dormir.
Beatriz
chegou a seu quarto com os olhos vermelhos de tanto chorar ao ver o sofrimento
da menina que ela considerava sua filha. Seu marido estava sentado em seu lado
da cama, viajando em pensamentos, então Bia se sentou a sua frente.
¾ Hei! ¾ Ela
o fitou, segurando uma de suas mãos. ¾ Está bem?
¾ Sim. ¾
Respondeu. ¾
É que eu nunca a vi tão alterada.
¾ Eu sei. ¾ Bia
falou com a voz doce e compreensiva.
¾ Ela me interrompeu mais
de uma vez, aumentou o tom de voz. De uma hora pra outra ela ficou
grosseira...
¾ E fria. ¾ Bia
completou.
¾ Como assim? ¾ Eu
falei para ela que ela tinha irmãs que queriam conhecê-la e ela simplesmente
disse que não se importava, que não estava nem aí. ¾ Suspirou. ¾ Ela
nunca foi assim, toda a vida foi amável.
¾ É, quando se fala na mãe
ela fica agressiva e eu acho que ela não vai abrir brecha para Dianna. Eu só
tenho medo que minha filha volte machucada.
¾ Eu também querido, eu também...
Continua...
Wow,adorei o capitulo!!!
ResponderExcluirVc escreve muito bem! :)
Continua postando,essa fic vai ser ótima!!
Bjs